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Orientação Vocacional e a Insegurança ao Escolher Nossa Profissão

  • Foto do escritor: Maíra Matos Costa
    Maíra Matos Costa
  • 25 de jun. de 2020
  • 11 min de leitura


Terminar o ensino médio é um momento emocionante. Afinal, quantos desafios a gente não teve de passar para conquistar essa etapa tão esperada, não é mesmo? Se você chegou até aqui, significa que você é uma pessoa totalmente capaz de desenvolver todas as habilidades que fazem sentido para você. A sua história te proporcionou vivências suficientes para agregar conhecimento ao mundo e todos nós precisamos do que você tem a oferecer.

Porém, nem sempre a gente consegue ter consciência de todo esse nosso potencial. Frequentemente, olhamos para nós mesmos e lembramos de tudo aquilo que ainda não conseguimos conquistar e, assim, colocamos a nossa autoestima em jogo, questionando o nosso valor como pessoa.


O que eu tenho que ser?



Para começo de conversa, vale lembrar que você não tem que ser nada, porque você já é tudo o que você precisa ser desde que você nasceu. Afinal, mais ou menos 20 anos (a idade média de jovens que fazem o ENEM) não são 20 dias. Lembre-se de tudo o que você viveu até aqui, das experiências que você teve com as pessoas que ama, das histórias com seus amigos da escola, das brincadeiras, dos filmes que viu e livros que leu. Você realmente acha isso pouco?


A única coisa que você vai precisar agora é desenvolver habilidades profissionais para que você se torne independente e a sua sobrevivência no mundo seja melhor. E isso não tem nada a ver com o seu valor humano.


Entender o tamanho da força que existe dentro de você é um ponto crucial para lidar com as expectativas que a sociedade coloca em cima da gente. Muitas vezes, a escola pode ser um ambiente competitivo, onde somos comparados pelo nosso desempenho acadêmico e, com isso, temos a falsa percepção de que nossa capacidade é medida por meros números em um boletim.



Suas notas não tem nada a ver com o seu potencial. Muitas vezes, a gente pode tirar 10 em provas difíceis, mas, depois de um tempo, a gente nem se lembra mais do que se trata aquele conteúdo. Porque simplesmente decoramos a matéria, repetimos aquelas palavras e esquecemos logo em seguida. Você é muito mais do que isso. Decorar fórmulas e datas históricas pouco dizem respeito sobre o enorme senso crítico e a consciência ética que podemos desenvolver exercendo uma atividade que realmente faz sentido para nós.


Nossos pais e mães também criam expectativas em relação ao que fazemos, o que é muito natural. Eles se preocupam com a nossa independência financeira, para que um dia eles possam morrer em paz, sabendo que estaremos sobrevivendo confortavelmente. Para grande parte deles, o melhor dos mundos seria que a gente passasse em um concurso qualquer (com estabilidade financeira) ou que fizesse um curso que assegurasse o máximo a nossa empregabilidade, independente de como a gente se sente nessa função. Para eles isso seria bastante satisfatório.



Mas isso é um problema deles, só deles. A insegurança que eles sentem em relação a sua profissão não deve determinar o que você sonhou para a sua vida. Eles é que terão de compreender que as experiências que eles tiveram na história deles são diferentes das suas. E que, embora eles nos acompanhem ao longo de toda a nossa vida, eles não estão dentro de nossos corpos para sentir o que a gente sente. Quando eles se forem desse mundo, você continuará por aqui, vivenciando coisas que fazem eles se sentirem satisfeitos ou fazendo da sua vida uma experiência melhor?


Imagina só, passar 90.000 horas da sua vida (tempo médio que gastamos no trabalho) fazendo uma atividade que faz todo sentido para outra pessoa (seus pais). Será que seremos um profissional de sucesso exercendo uma atividade que não nos desperta interesse? Quantas horas do seu dia você vai querer gastar estudando e se aprimorando em algo que você não acredita ou que te faz sentir aborrecido? De que forma você vai se destacar levantando uma bandeira que não é a sua e trabalhando para pessoas que você não admira?



Agora lembre-se daquelas atividades que te trouxeram as melhores emoções da sua vida. Lembre-se daquele filme que tocou seu coração ou daquele livro que te fez ter ideias novas, que te despertou para uma realidade diferente, um mundo novo. O quanto você poderia contribuir para o mundo fazendo coisas que te movem, que te agregam e que você verdadeiramente acredita? O quanto dessa atividade te desperta fé na humanidade e vontade de fazer mais e melhor?


Onde está aquele brilho no olhar, das crianças que um dia já fomos, nos adultos de hoje que trabalham roboticamente para acumular objetos e bens não duráveis? Por que temos que ser fadados a um destino ganancioso, competitivo e sem sentido?




Sim, todos nós possuímos as ferramentas necessárias para compreender melhor o que somos, da onde viemos e o que queremos nessa maravilhosa jornada que é a vida. Não precisamos de um código binário para separar as pessoas em zeros e uns, onde quem se encaixa em um formato pré-determinado é “1” e quem sai dessa curva é um “0” a esquerda. Todos temos igual valor e igual potencial para sermos o que quisermos ser.


O mal do “não sei o que” – não sei o que gosto, não sei o que quero e não sei o que fazer no ENEM



Mas e quando a gente nem ao menos sabe o que nos move, o que nos toca ou o que a gente gosta de fazer? E quando a gente sofre justamente para compreender esse caminho que deveria ser traçado por nós, pela nossa história particular?


Sim, isso é possível. O autoconhecimento, embora pareça uma tarefa fácil, é uma habilidade que deve ser estimulada por anos, para que possamos nos sentir aptos a compreender e a expressar tudo o que pensamos e sentimos.


Muitos jovens entram para o mercado de trabalho desde cedo, na adolescência, o que, em parte, pode ajudar no sentimento de autonomia e independência, além de trazer maior maturidade. Essas pessoas podem ter menos dificuldade em tomar decisões, mas, ao mesmo tempo, talvez tenham tido pouco tempo para fazer algo diferente do que cumprir ordens.


Existe também, uma parcela de adolescentes que, obrigada por seus pais, passa sua vida fazendo inúmeras atividades extracurriculares (francês, judô, computação, ballet, etc.). Essas pessoas, embora tenham um excelente currículo, não têm sequer um período de tempo livre para exercer sua criatividade, liberdade de pensamento e a busca de conteúdos de interesse próprio.



E mesmo aqueles que têm muito tempo livre, podem se acomodar em atividades que não estimulam o autoconhecimento, como maratonar séries do Netflix® ou virar madrugadas em jogos online. Nada contra as mídias digitais, afinal, os tipos de série e de jogos que buscamos também podem nos dizer muito do que pensamos e sentimos. E também podem ser positivos no desenvolvimento de muitas habilidades (como idiomas estrangeiros, culturas diferentes e raciocínio lógico, por exemplo). Mas o processo de autoconhecimento também tem a ver com a habilidade de lidar com o ócio, de pensar livremente e a habilidade de criar coisas novas. Qualquer atividade que seja extremamente repetitiva pode servir como uma limitação para ampliar horizontes e entender nossas diferentes capacidades.


Genoprofissiograma e Ociograma


Um estudo realizado por Annunciato, Mondardo e Soares (2002, citado em Ivatiuk e Amaral, 2004) propôs uma técnica de autoconhecimento muito interessante, visando compreender a influência das profissões e interesses da família na decisão profissional dos jovens. Inspirado em outro estudo que realizou o “Genoprofissiograma” (uma árvore genealógica das profissões dos familiares de um indivíduo), esses autores realizaram o “ociograma” familiar.


“Essa técnica tem os mesmos objetivos e métodos do genoprofissiograma, mas no ociograma, as informações fornecidas são sobre os momentos de “ócio” dos familiares, sobre os momentos de lazer, de descontração e não sobre os relacionados a trabalho e emprego”. (...) [Ela mostra que] “muitas atividades exercidas pelos indivíduos apenas por lazer, podem ser consideradas possibilidades de escolha profissional” (p. 25).


Fazer um genoprofissiograma e um ociograma é bem fácil e divertido. Basta montar uma árvore genealógica simples e ir pesquisando informações com os membros da sua família que você considera influências relevantes para você. Com isso, muitos debates ricos sobre suas origens vão surgindo, você vai compreendendo que fatores influenciaram a decisão de seus ascendentes e como eles seguiram o caminho que seguiram. Conversar com eles vai te ajudar a compreender mais sobre você.


A seguir apresento um modelo de genoprofissiograma e ociograma que eu mesma fiz com a minha família, só para exemplificar:



Ao fazer o meu próprio genoprofissiograma e ociograma, descobri que minhas influências foram mais para o lado paterno, pois lembro de me interessar muito pelos conteúdos que meu pai compartilhava comigo e sempre me encantava com a área da saúde. Ele era uma pessoa que lia muito e eu achava lindo o fato de ele ter sempre uma opinião sobre tudo. Na época que decidi ser psicóloga, eu pensava também em: medicina, filosofia, psicologia, jornalismo e letras. Pela imagem e pelas cores, dá pra ver que, em todas as opções, meu pai e minha mãe foram modelos para mim. O amor pela língua portuguesa, que tenho até hoje, veio dos livros de poesia que minha mãe lia comigo e com minhas irmãs na infância.


Quando mandei um questionário para minhas primas no grupo do WhatsApp, muitas conversas reveladoras surgiram e todas relataram que suas atividades em momentos de ócio foram cruciais para desenvolver habilidades e inabilidades que hoje ainda fazem parte de suas vidas.


Passo a passo para fazer um genograma das profissões e atividades livres da sua família:


1) Represente graficamente a sua família em formato de genograma, indicando: sua própria geração, a geração de seus pais e de seus avós. Deve haver pelo menos três gerações.

2) Indique no próprio desenho a profissão de cada um e as atividades que eles costumam fazer em momentos ociosos. Para isso, você pode fazer uma pesquisa através de pequeno questionário pelo WhatsApp, no grupo da família. Aproveite para compartilhar histórias.

3) Marque no seu gráfico todas essas informações. Indique quem você mais admira e quem não admira profissional e pessoalmente. Tente usar legendas para facilitar o cruzamento dos dados.

4) Agora vamos analisar o resultado. Depois de compreender melhor suas origens e depois de muitas conversas reveladoras, podemos verificar como são as relações estabelecidas entre os membros da família, os modelos e padrões que são repetidos entre as gerações. Pense bem e veja, para qual lado da família você tem mais influências e quais caminhos possíveis você poderia seguir?


A seguir, compartilho o questionário que mandei no grupo da família no WhatsApp:


1. Nome:

2. Profissão/trabalho:

3. Cite 3 atividades que você prefere fazer no ócio:

4. Essas atividades mudaram muito ao longo da sua vida?

Sim ( ) Não ( )

5. O que seu pai e sua mãe faziam/fazem em momento ociosos?

6. Vocês acham que seus interesses em momentos de lazer influenciam alguma habilidade ou inabilidade que vocês tem hoje em dia?


Você pode usar esse modelo simples, mas também pode acrescentar outros conteúdos de seu interesse, pode fazer uma árvore maior, com outros tios, primos, bisavós, etc. E se quiser um questionário ainda mais rico, veja o belo trabalho de Silva (2018), nas referências bibliográficas. Afinal, quanto mais rica a sua pesquisa, melhor você vai se conhecer.


Existe uma vocação?



Se compreendermos o conceito de “vocação” como um comportamento inato ou um destino pré-determinado de alguém, a resposta é não. Existe sim, uma história de desenvolvimento de habilidades que leva uma pessoa a se interessar mais por uma atividade do que por outra.


A Análise do Comportamento é uma abordagem da psicologia que compreende o comportamento humano como um processo em constante desenvolvimento. Para esta ciência o conceito de vocação é entendido como um comportamento socialmente construído, que depende de fatores como valores e normas sociais e a forma como o indivíduo se adapta a eles (Moura e Silveira, 2002).


“O arranjo dessas variáveis ao longo da vida de uma pessoa pode encaminhá-la para o desenvolvimento de interesses e aquisição de habilidades que, ao serem analisadas, poderão vir a corresponder a um conjunto de opções profissionais com características e exigências intrínsecas a estas opções e aos indivíduos que as exercem” (Annunciato e col., 2002, citado em Ivatiuk e Amaral, 2004, p. 25).


Ou seja, podemos aprender o que quisermos aprender, basta que tenhamos acesso a um treinamento adequado, assim podemos alcançar habilidades necessárias para qualquer profissão.


Conhecendo melhor as profissões



Todo mundo, no fundo, tem uma boa ideia para mudar o mundo, qual é a sua?

A busca do autoconhecimento é um processo que nos ajuda a compreender justamente como podemos fazer a diferença na sociedade a qual estamos inseridos. Exercer uma profissão não tem nada a ver com ganhar dinheiro, se destacar, ser melhor do que os outros ou ter poder. O sucesso profissional, na verdade, é fruto de um trabalho árduo, feito com muito amor, dedicação e seriedade e que, para nenhuma profissão, acontece rápida ou magicamente.


Um psicólogo, por exemplo, possui ferramentas para ajudar as pessoas a se sentirem melhor em seus contextos, superar traumas e psicopatologias, a desenvolver habilidades importantes tais como: comunicação assertiva, autocontrole emocional e autoestima. O interesse do profissional da psicologia é ajudar o seu cliente, fazendo-o se sentir melhor para ter uma vida plena.


Assim como o psicólogo, o advogado também tem uma função de ajudar as pessoas que estão passando por situações de injustiça. Ele também trabalha com pessoas em sofrimento e possui habilidades técnicas para conduzir um processo assegurando que a justiça seja feita. [O direito] “é a ciência que cuida da aplicação das normas jurídicas vigentes em um país, para organizar as relações entre indivíduos e grupos na sociedade” (guia do estudante).



O pedagogo é aquele profissional acredita verdadeiramente no ser humano e ajuda-lo a se desenvolver social e cognitivamente ao máximo é o seu principal objetivo, para que, assim, tenhamos uma sociedade mais ética e consciente.


O arquiteto é um artista apaixonado por formas e que acredita em moradias mais acessíveis, em casas mais sustentáveis, belas e uma cidade mais inteligente e ecológica. Seu trabalho existe para deixar a vida das pessoas mais prática, segura e confortável.


Quando acreditamos em um ideal possível, o dinheiro e o sucesso acabam sendo consequência de muita ralação em prol desse objetivo. E quando amamos aquilo que fazemos, nosso bom desempenho é bem mais provável.



A seguir, apresento o “Guia do Estudante” e o “Guia da Carreira” duas plataformas online que dão uma primeira ideia sobre todas as opções de profissões que podemos escolher:



Chegou a hora de escolher



E se eu escolher uma profissão errada? E se no meio do caminho eu perceber que eu não gosto nem um pouco dessa atividade? E se der tudo errado e eu ficar pra trás em relação aos meus colegas?


Todas essas inseguranças batem na gente quando precisamos tomar uma decisão tão importante como essa. Mas, até essa altura do texto já conseguimos compreender que, enquanto estivermos focados no que os outros vão pensar da gente, o sofrimento é garantido, não é mesmo?


Vale lembrar que todas as profissões do mundo são difíceis no começo. Entrar no mercado de trabalho é um processo que exige de nós determinação. Todo curso tem conteúdos chatos e tarefas que não vamos gostar também. Mas cabe a nós, se abrir para os novos conhecimentos que virão, se adaptar a essas novas dificuldades, porque, mais cedo ou mais tarde, elas acabam sendo superadas e nos tornamos pessoas melhores depois de tudo isso. O que precisamos é buscar, nesse novo mundo acadêmico, o desenvolvimento de um cidadão consciente e transformador da realidade.



Então, na hora de escolher vamos seguir um pouco do que Raul Seixas falava e aprender a esquecer “aquela velha opinião formada sobre tudo” e aceitar a “metamorfose ambulante” que existe dentro de cada um de nós.


As pessoas mudam o tempo todo, o mundo também está sempre se modificando e nós, seres humanos, somos totalmente capazes de nos adaptar a essas mudanças. Podemos sim mudar de ideia no meio do caminho e isso não é o fim do mundo. Pelo contrário, novas portas estão sempre se abrindo para quem está aberto a novas possibilidades.


Se você ainda está muito indeciso, não tenha pressa, respeite o seu tempo de amadurecimento, se dê um prazo para se conhecer, estudar um pouco mais e tomar sua decisão com mais segurança. Que tal um ano de cursinho, aulas online ou leituras diferentes, para explorar melhor as possibilidades, em vez de fazer logo o ENEM, direto do terceiro ano?


Ao estudar bastante sobre as profissões, tente chegar em 3 ou 4 possibilidades. Dentre essas, converse com profissionais da área, entenda sobre os caminhos possíveis que você pode seguir dentro delas e se arrisque! Vá sem medo de ser feliz! Você já tem tudo o que é preciso para realizar todos os seus sonhos. Eu acredito em você. E você, também acredita?



Referências Bibliográficas


Ivatiuk, A. L. & Amaral, V. L. (2004). Algumas Propostas da Análise do Comportamento para Orientação Profissional. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 5 (2), pp. 21 – 29.


Moura, C. & Silveira, J. (2002). Orientação Profissional sob o Enfoque da Análise do Comportamento: avaliação de uma experiência. Revista Estudos de Psicologia. PUC – Campinas, v. 19, n. 1, p. 5 – 14, janeiro/abril.


Silva, A. M. (2018). A influência da família na escolha da carreira: uma análise do genoprofissiograma de docentes da UNIPAMPA. Trabalho de Conclusão de Curso.


Para refletir


Música: Meu amigo Pedro

Autores: Raul Seixas e Paulo Coelho

Já parou para reparar na letra dessa música do Raul?

Ela retrata muito bem o dilema que temos na hora de decidir nossa profissão.

"Há tantos caminhos, tantas portas, mas somente um tem coração".




Documentário: Ser e Ter

País: França

Tema: Educação Inovadora

Da onde vem certos valores que nos limitam em nossas vidas?

Esse documentário apresenta questionamentos bem interessantes sobre nosso modelo tradicional de educação.




Filme: Na Natureza Selvagem

País: EUA

Alexander Supertramp era um menino que questionava a sociedade e buscava seguir um caminho diferente.






Livro: Assim Falou Zaraturstra

Autor: Friedrich Nietzsche

Tema: Filosofia

Vamos pensar sobre a vida?

Após dez anos de isolamento na montanha, Zaratustra decide voltar ao convívio dos homens, a fim de passar adiante o fruto de sua contemplação e anunciar a vinda do Übermensch, ou super-homem. A tarefa do profeta, contudo, será tortuosa, pois poucos são os eleitos e muitos os seus inimigos.


 
 
 

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